Após o lançamento do álbum Fireworks (1998) o Angra uma das maiores bandas nacionais de Metal vinha passando por grandes problemas, devido os conflitos internos na banda não apenas entre os músicos mais também com o empresário devido aos fatos a banda literalmente rachou com 3/5 deixando o grupo em 1999. Sendo estes músicos Andre Matos (vocalista/tecladista, ex-Viper), Luis Mariutti (baixo, ex-Firebox) e Ricardo Confessori (bateria, ex-Korzus), ficando para trás os dois guitarristas Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt que ao lado do empresário Antonio Pirani ficaram com os direitos autorais sobre o nome da banda, sendo assim restou ao três músicos criarem uma nova banda assim então surgiu o Shaman, em 2000 começaram a trabalhar a composição das músicas mesmo sem um guitarrista ou uma dupla de guitarrista como eles estavam acostumados a trabalhar em sua banda anterior, então para o cargo nas gravações foi recrutado Hugo Mariutti irmão mais novo de Luis, que teve duas bandas sendo uma de pouca expressão no cenário musical que foi a banda de Thrash Metal Wardeath e uma banda mais melódica que chegou até a abrir alguns shows do Angra o Henceforth que também contou com o vocalista BJ (Tempestt) durante um tempo em sua formação. Mas com o tempo de trabalho em estúdio os músicos se impressionaram com a forma de tocar de Hugo e então decidiram efetivar ele ao cargo, fazendo dele o ultimo integrante oficial da banda e já demonstrando uma diferença em relação ao que faziam anteriormente, pois uma banda com um único guitarrista segue uma temática bem diferente daquela que tem o par, pois o músico tem que fazer bases e solos e com isso deixar a cargo de outros instrumentistas para manter a base da música enquanto o mesmo faz os solos algo que se pode perceber ainda mais nas apresentações ao vivo. Sabendo-se disso muitos fãs não sabiam o que esperar e alguns ainda torciam o nariz pelo fato de Hugo Mariutti não ser um músico com nome feito, que logo após o lançamento do álbum mostrou que tinha muito a mostrar. Agora o cd em si começando pela capa, o trabalho ficou muito interessante com uma letra “A” marcado no chão com uma chama saindo do meio da letra que cria forma de um rosto de um homem velho, com um olhar de sabedoria algo bem aqueles pajés indígenas com símbolos como as pirâmides e alguns planetas espalhados pela imagem já torna o álbum um grande atraente. Partindo pelo lado musical agora o cd dispõe de quatro composições de Andre Matos, duas de Hugo Mariutti, uma de Luis Mariutti e uma de Ricardo Confessori e a introdução que foi feita pelo produtor/tecladista alemão Miro que trabalha ao lado de Sacha Paeth na produção do disco, Ancient Winds se encarrega de começar o play, sendo ela uma introdução de três minutos e dezoito segundos é algo bem atmosférico e que faz o ouvinte ficar curioso para saber o que vira adiante nota-se aqui as influências adotadas pela banda algo que mistura World Music e New Wave, com efeitos de marcha, cânticos e gritos indígenas algo que representa as grandes festas realizadas pelas tribos ainda com alguns efeitos de cachoeira e um violino algo que chega a lembrar algumas coisas feitas pela banda brasileira de Rock Progressivo “Sagrado Coração da Terra”. A segunda faixa é Here I Am já entra quebrando tudo com umas paradinhas no começo os riffs de guitarra rápidos e ríspidos de Hugo são o carro chefe da canção, ao entrar o vocal de Andre percebe-se que ele também está cantando de modo mais grave assim como fez no ultimo antes de sair do Angra. Distant Thunder tem uma entrada mais tribal com a bateria em ritmo de marcha e algumas viradas bem interessantes, nesta canção prevalece o ritmo bateria/baixo com a impulsão dos riffs de guitarra, nota-seque a abordagem musical da banda é muito mais interpretativa desde o instrumental até os vocais, melhorando ainda mais quando a canção chega ao seu refrão que é forte e pegajoso. A quarta canção For Tomorrow foi escolhida para que fosse a segunda música de trabalho ganhando um videoclipe com cenas de bastidores e apresentações ao vivo da banda, começando com instrumentos tribais tanto de sopro como percussão algo bem dançante caindo depois em uma melodia de violão acompanhado dos vocais, logo após abrindo espaço para um instrumental pesado, riffs pegajosos de guitarra, bateria e baixo fazendo uma cozinha perfeita e cheia de sincronia ao chegar aos seus dois minutos e alguns segundos chega-se ao refrão e que refrão, o instrumental fica mais progressivo e as linhas vocais vão um pouco mais alto sendo o solo de guitarra algo bem old-school não tem como não se lembrar de guitarristas como Rhandy Rhoads por exemplo. Time Will Come tem um começo arrepiante com efeitos de gotas d’água caindo ao fundo enquanto são tocadas notas bem frias de piano pode-se assim dizer, após alguns segundos de silêncio entra todos os instrumentos quebrando tudo cheio de passagens pesadas com uma linha de teclado fazendo uma cama bem interessante dando um contraste diferente, está música segue uma linha bem progressiva pois é cheia de altos e baixos, peso e suavidade seu refrão com dois bumbos da bateria no talo acompanhado do baixo, com momentos bem tântricos também por conta das linhas de teclados/sintetizadores o solo de guitarra é outra parte muito bem feita da canção é possível ouvir nota por nota simplesmente sensacional. A sexta faixa que leva o nome de Over Your Head mostra toda a criatividade dos músicos ao explorarem conceitos novos, ela começa com vozes de crianças cantando à cantiga de ninar dos cinco patinhos acompanhados de efeitos de sintetizadores, com uma curta entrada cheia de peso, a canção cai em algo bem rítmico aonde a cozinha faz a grande diferença bateria e baixo, cheio de swing é algo bem flamenco nesta canção em que as linhas de voz passa a sensação de um homem contando a sua história, com momentos bem pesados ainda contando com a participação de Derek Sherinian (ex-Dream Theater) nos teclados. Fairy Tale foi à primeira canção de trabalho escolhida pela banda, começando com um coro de mulheres cantando em gregoriano que aos poucos da espaço para belíssimas linhas de piano acompanhado da voz, uma canção cheia de feeling para todos os lados ainda mais por conter vozes de apoio em muitas partes, com melodias cativantes com direito a uma parte de flauta e piano. Aqui se percebe a influência de Iron Maiden no som da banda, Blind Spell começa com linhas de baixo e bateria bem cavalgado, com a guitarra apenas fazendo como se fosse um pano de fundo, é uma canção bem pesada e direto-crua com algumas passagens que lembra aquele Rock Progressivo antigo por causa principalmente dos efeitos de teclado e sintetizadores, quem dá uma aula de habilidade nesta música é Ricardo Confessori que faz uma linha de bateria muito bem trabalhada, com bem mais feeling do que técnica desnecessária. Sendo a penúltima faixa a que leva o nome do álbum, Ritual começa com efeitos de teclados bem usados, que faz com certeza o ouvinte ter vontade de bangear, logo após dando espaço para os outros instrumentos s sendo que a guitarra acompanha bem de perto, com um riff simples mas muito eficaz ela consegue empolgar com muita facilidade, com algumas paradas bem legais aonde a aura setentista retorna com tudo, uma canção progressiva e demonstrando que o simples às vezes é tão capaz quanto à complexidade do estilo para se fazer grandes canções. E para fechar o álbum vem uma pedrada Pride, que começa de modo veloz e direto com Andre Matos e Tobias Sammet (vocalista do Edguy) levando as notas lá em cima em suas vozes agudas, algo bem na linha do Judas Priest encerrando em belo e bom tom um álbum de uma banda extremamente promissora. Sendo que tem participações de músicos como Marcus Vianna (violinista do Sagrado Coração da Terra) e também Sacha Paeth (ex-guitarrista do Heavens Gate e produtor) nascido para ser considerado um grande álbum do estilo mundialmente podendo-se considerar um clássico dentro do Metal nacional, pois muita gente até chegou a denominar o estilo criado pela banda como Mystic Metal pela aura contida no mesmo. Recomendado para quem gosta de Metal, Rock em geral e até mesmo New Age pelos efeitos usados de teclado e sintetizador. Nota 10!!!

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